sábado, 29 de setembro de 2007


É que tou tentando fazer as pazes com o moço aqui - O Blog.
Andei lendo postagens antigas até as mais recentes e percebi muita dor.
Rancor. Vontade de ferir. Saudades.
Foi um veículo de equívocos. Escrevi coisas pra gente que nem leu, ao mesmo tempo magoei outros que não tinham nada haver. Ok, também não tenho culpa se alguns resolvem vestir a carapuça, mas a verdade é que tudo isso me cansou um pouco.
Como nesse momento em que me vêm monte de coisas na cabeça, mas dá preguiça escrever, desgasta. Exigiria um desprendimento e uma reserva generosa de energia que não disponho no momento.
Obrigado a você que de vez em quando me pede para escrever alguma coisa aqui. Valeu a força.
É só uma fase e vai passar.

Um beijo a você.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

NUMA FASE LEGIÃO DEMAIS


Tenho andado distraído
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso
Só que agora é diferente
ESTOU TÃO TRANQUILO
E TÃO CONTENTE...

Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar prá todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada prá ninguém...

Me fiz em mil pedaços
Prá você juntar
E queria sempre achar
Explicação pr'o que eu sentia
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
QUE MENTIR PRA SI MESMO
É SEMPRE A PIOR MENTIRA

MAS NÃO SOU MAIS
TÃO CRIANÇA, OH! OH!
A PONTO DE SABER TUDO...

Já não me preocupo
Se eu não sei por quê
ÀS VEZES O QUE EU VEJO
QUASE NINGUÉM VÊ...

E eu sei que você sabe
Quase sem querer
QUE EU VEJO
O MESMO QUE VOCÊ...

Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos
Sei que às vezes uso
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?...

QUASE SEM QUERER/Legião Urbana

segunda-feira, 23 de julho de 2007

PARA FAZER JUS A CANETA BIC NOVA


Costumo dizer que escrever para mim tem que ser algo orgânico, sensorial. Que quando a inspiração vem, tipo bolsa de grávida quando estoura, tem que se escrever naquele exato momento, para capturar com palavras o golfo das elucubrações. E assim o é, sendo que, caneta em punho, sempre hesito alguns segundos ou minutos como que entregue à pesca do começo exato, da frase-efeito, da pegada certa. Às vezes é complicado explicar com palavras as coisas que vêm na cabeça da gente. Porque têm coisas que a gente só sente. Ou não sabe que nome dar a certos sentimentos e sensações. Ou sabe, mas aí esquece. Sabe como é, na hora que vão sair da cabeça, vem outro pensamento e atrapalha tudo. É assim que funciona. Louco né? Essa paixão pelo muito que se pode dizer e calar escrevendo. Por isso hoje, extraordinariamente, quero me permitir um escrever singelo. Um escrever tipo, redação-volta-às-aulas. Hoje eu escrevo só para mim.


TOU INDO VIAJAR. Entre uma coisa e outra que ponho na mochila, dou uma folheada aqui na agenda que fiz de meu caderno de escritos, pequenos ensaios, e que acabou ficando com cara de querido diário. Tem coisa aqui que jamais publicaria no Blog. Algumas por serem muito íntimas. Outras nem tanto, mas que independente dos níveis de confissões, entregam sentimentos que talvez eu não queira admitir que ainda existem. Putz. De que serve um blog se a gente não pode falar dos nossos podres e dos podres dos outros? Que graça tem?
'E Chiove', com a Zizi Possi, toca ao fundo. Uma vez minha irmã perguntou: "Por que sempre que você vai viajar põe essa música?". E eu que até então, nem havia percebido, acabei que a elegendo como o meu tema de arrumar a mochila.
Tou me sentindo numa madrugada de reveillon. Sabe aquela sensação que dá, tipo, do ano começando, você fazendo um balanço de tudo que passou, cheio de pequenos novos planos, traçando metas, fazendo mil promessas a si mesmo? Incrível a capacidade que algumas pessoas têm de dar início e encerrar pequenos ciclos em nossas vidas, independente do tempo que permaneceram nela. Como quando a gente lê um livro muito legal que nos revela um universo novo de sentimentos e emoções e, quando acaba, fica aquele vazio. Mas um vazio de coisa preenchida, sabe? Um espaço que foi ocupado por uma falta boa, que não faz mal. Quer dizer, mal faz. Mas o bom que foi, a gente não perde, né? Até que um dia, quem sabe... DE REPENTE DÁ CERTO.
Escrevo e vejo a chuva fina. Pego a capa do cd e confiro. Agora toca 'Pace e Serenita'. Sinto um arrepio pela beleza feérica do momento. Se eu fosse poeta, iria tomar um banho de chuva para lavar a alma. Mas como poeta não sou, vou passar na Conviniência e lavar a alma com uma coca-cola, mesmo.

terça-feira, 17 de julho de 2007


VOCÊ ASSISTINDO AO JOGO BRASIL E ARGENTINA. Eu, por minha vez, assistindo você assistir ao jogo Brasil e Argentina. Capturando com uma doçura pesada uma sutileza que não pode ser descrita. Cena de um filme que vejo em slow-motion para esticar o tempo das próximas últimas cenas. Você achando graça na minha tentativa desesperada de tirar uma casca de pipoca da goela e sugere: "Toma um gole de coca". Eu tentando disfarçar o incomodo toda vez que percebo surgir no seu olhar aquele brilho ao falar de sua viagem e eu digo com uma certa alegria-tatuagem-de-chiclete: "Não esquece de tirar muitas fotos". É que promessas cafonas fazem parte do script. Não são as primeiras que ouço e que também faço e, por conseguinte, não serão as últimas. Um jantar num lugar legal e uma noite de amor com olhos húmidos farão parte do mise-en-scéne que antecederá a despedida.


Pausa dramática.


Esse texto terminava com um trecho meio amargo e rancoroso. Mas como escrever tem disso, a sua mensagem que acabei de receber no celular broxou a exposição dos sentimentos medíocres. A resposta para sua pergunta é a seguinte: Sim. Estou com a tarde livre.

segunda-feira, 2 de julho de 2007


Eu, Ary Régis Lima, declaro que por motivos de grande felicidade não fui capaz postar nada nos últimos dias. Felicidade é broxante para quem escreve, pois não inspira. Não requer palavras, é indizível. Como um grito mudo. Ocupa. Portanto, como sou uma pessoa sem o menor talento para ser feliz, comunico que estou de volta por tempo indeterminado. Sem mais para o momento, despeço-me.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

OLHA NOSSO PAPO AQUI, ELIAS.

- Elias, onde vai passar o São João? Aqui a cidade já começou a ficar vazia. Todo mundo tá indo pra algum lugar, uma cidadezinha do interior.
- Recebi um convite, para uma festa na roça, num sítio, mas vou deixar para dizer não no último momento.
- Ué, e por quê vai fazer essa maldade?
- Sei lá, não tô muito afim, mas se eu disser isso, o cara vai ficar me enchendo.
- Rsrs... sei como é. Eu fico super angustiado. Não gosto de festas juninas, alias, acho que não gosto de muita coisa. Mas não me entendo definitivamente. Se vou, acabo me arrependendo. Se não vou, fico aborrecido porque sei que todos estão em algum lugar se divertindo. Doido, né?
- Mas no meu caso, é que o cara tá afim de me pegar, entendeu? Metade de mim, quer isso mas, a outra metade não. E confio mais na segunda metade.
- A metade que não quer?
- Sim. Ela é mais sensata.
- Hum. Sei como é. Mas nem sempre é bom ser sensato, né?
- Às vezes é uma questão de sobrevivência. O q vc tá ouvindo?
- Mariah Carey. Aeaheuhaue.... e vc?
- Argh. Tô ouvindo New Order. Vc não acha que ela grita muito?
- Mas é que tá tocando no rádio. Não querendo me justificar, porque até gosto mesmo. Pelo menos do último CD. Achei bem legal. Ah, eu sou muito eclético, gosto de muita bagaceira também. Dependendo do meu estado de espírito. Nossa, é impressionante como a gente fica condicionado a escrever errado no msn. Putz. Fico o tempo todo corrigindo as palavras.
- Vc vai ter q corrigir o q estou escrevendo então...kkkkkkkk. Me fala da sua primeira paixão.
- Minha primeira paixão ou meu primeiro amor?
- Paixão.
- Ihhhh... queria falar sobre isso não, sabe. Sei lá. Tou num momento onde as coisas estão se confundindo muito na minha cabeça. Deixa eu perguntar agora. Você já pensou em escrever um livro? Com seus poemas e tal?
- Sim, acabei de ser rejeitado pela editora Objetiva. Kkkkkkkk.
- Mesmo?
- Um dia eles vão se arrepender e me pedir de joelhos. Enviei uns originais, e ele me responderam q não estão interessados "nessa area".
- Hum. E você ficou triste?
- Um pouco, mas já me recuperei. Kkkkkkkkk. Tb tenho outro projeto, mas não vou oferecer a eles não. Sou rancoroso.
- Deixa eu te contar, eu tô escrevendo um livro.
- Um romance?
- Sim. Comecei por partes distintas... depois vou amarrar tudo. Mas é um processo lento, sem grandes pretensões. Acho que vai ficar legal.
- E como são os personagens?
- Ah, não vou dizer agora, né? Senão perde a graça. Você vai ser uma das primeiras pessoas para quem eu vou mostrar quando ficar pronto. Só não espere que seja logo. Rsrsr...
- Já estou ansioso.

sábado, 16 de junho de 2007


SÁBADO ENSOLARADO. Um convite à traquinagem. Uma brincadeira de pátio, quase. Os recreios perfeitos duram apenas o tempo de um cigarro. Fugacidade. Luminescência. Tic tac, tic tac, tic tac. É preciso correr. É preciso ser Cheetara. Por que as frutas tem estação.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

AINDA É CEDO
Sim, mas onde está o relógio, a porra do celular?
Humidade
Mofo
A garganta fisgando
Certa vez ouvi na novela:
"O caos liberta"
E me absolvo
pela desordem da casa
dos últimos dias, dos últimos anos
dos últimos amores desde sempre

DONA MARIA SAIU À FRANCESA
como costumo fazer
Ei, Dona Maria, como é aí do outro lado?
Tem a luminosidade das cores?
Tem torta de limão?
Ela não vai voltar
E eu tenho um filho que escolhi
As vezes eu nem acredito
Mas seus dentinhos nervosos
cravados em meu dedo
inauguraram em mim a consciência
Não. Não saírei mas à francesa.
Agora sei, me sinto indispensável

PONHO O CD VELHO
que tem aquela música
Aquela música que você ia cantar para mim
Lembra? Não lembra?
Oh, caro Friedrich, e você?
Por que está tão calado?
Por que não me diz nada?
Não gosto deste silêncio coberto por lençóis
Prenúncio
Sim, é que agora sei, entende?
Sobre o eterno retorno, caro Friedrich
É. Aconteceu
Acontece
Mas eu preciso saber
Preciso entender
Tipo vide bula, ok?
YOU DON'T UNDERSTAND ME, MY BABY

O SOL ESTÁ APARECENDO. ALELUIA.


PS. Esse texto, em formato/tipo poeminha, dedico ao meu amigo blogueiro Elias Vasconcelos. Que sempre me inspira com os seus escritos.

domingo, 3 de junho de 2007

Deu no saco essa chuva.

sábado, 2 de junho de 2007

PARA VOCÊ QUE LEU MEU BLOG

Eu fiquei nervoso sob vários aspectos, confesso. Aliás, confessar eu não preciso. Estava na cara e você percebeu, por que me disse até. É a gozação do cosmos mexendo nas nossas configurações. Clicando em atualizar, alterando dados. Eu estava nervoso quando paramos naquele corredor para conversar e aquele momento resgatou em mim uma pequena alegria, a alegria de quem aperta a campanhia do vizinho e corre. Você continua lindo.
Falamos rápido demais com olhos atentos e surpresas nostálgicas de um passado recente. E eu nervosamente me perguntava como e por quê?
Agora percebo que com um tipo de coragem infantil DE REPENTE estava eu sendo eu. Engraçado, nunca pensei que pudesse tremer tanto. Seus olhos pequenos e sorrisos largos não estavam bem à vontade e nem eu né?
Falaremos disso tudo num dia desses, mas nervosamente, eu sei, não conseguiremos.
Deseja salvar as alterações feitas nesse arquivo?

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Brrrrrrrrr... que frio!!!

segunda-feira, 28 de maio de 2007

POR UM AMIGO MAIS FÚTIL


HOJE VOCÊ VOLTOU AO QUE ERA, ou melhor, ao que vem se transformando nos últimos tempos. Tão diferente do domingo passado, quando tomamos todas e DE REPENTE você estava tão leve, tão descontraído e espontâneo, falando o que vinha na cabeça sem se preocupar com a organização das palavras. Rimos como não fazíamos há muito tempo e eu tenho que confessar, já havia esquecido de como sua companhia podia ser tão divertida. É na esperança de que outras tardes como aquela se repita que eu vou falar.

DESENCANA CARA. A vida não é um 'Jogo do Milhão' onde aquele que demonstra mais conhecimento e acerta todas as respostas leva o grande prêmio. Essa tua necessidade de se mostrar o mais inteligente, o mais culto, o mais informado só te deixa patético. Para que tanta erudição, me diz? Você se transformou no 'típico recalcado com pinta de intelectual'. Foi se escondendo por trás dessa imagem pré-fabricada, um misto de análise crítica do caderno cultural e artigo científico ambulante, jorrando nomenclaturas, teorias filosóficas e sacadas da física quântica. Por que isso, hein? Porque ainda não passa de um menininho que acha que sendo o primeiro da classe vai conquistar a admiração dos coleguinhas e provar para os pais que é mais digno de atenção do que o irmão predileto? Quanta ingenuidade. Ingenuidade não, falta de noção mesmo. Pois você não escolhe nem hora nem lugar para nos alugar com suas demonstrações sobre os seus conhecimentos de política sociocultural e neuro inteligência. Lamento informar meu querido, mas tudo isso é um saco. Tanto que quando vejo você tagarelando sobre essas coisas, compreendo cada vez mais a importância que as pessoas fúteis têm. Porque elas não vêem problema em nada, porque não param para pensar em nada, e por isso mesmo, são tão leves e divertidas. Ótimas companhias.

PARA QUE TANTA COMUNICAÇÃO? Quando é que você vai parar de se expressar?

VEJA BEM, um amigo ao qual te apresentei recentemente comentou que à princípio até te achou uma pessoa bacana - 'bacana': percebe a sutileza do adjetivo usado? -, mas que conversar com você foi se tornando impossível, pois você engatou numa verborragia sem fim, não dando a ele chance para interagir, tendo que por fim recorrer a uma determinada artimanha para se livrar de você. Muito triste isso. Essa sedução hipnótica pelo próprio discurso. E eu pergunto: "Onde se aplica aí aquela velha máxima das relações interpessoais que diz: "Mais importante que falar, é ouvir"? Será que você ainda sabe como funciona o complexo mecanismo da escuta? Portanto, tente ser você com mais leveza. Não precisa forçar uma barra. Pois o tempo faz com que a gente adquira a embocadura suficiente para que determinados assuntos soem naturais saídos de nossa boca e não dando a sensação de decoreba da crítica do Arnaldo Jabor. Pois qualquer um percebe quando falamos ou não através de nossas próprias idéias. E lembre-se: usar a boca para outras coisas que não seja falar, como beijar, por exemplo, faz um bem danado. Experimenta vai. Sua pele tá precisando.

PS: Inspirado ou baseado na carta Prezada Mulherzinha, da Fernanda Young.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

AS PESSOAS DA PARADA DE ÔNIBUS

As pessoas com seus olhos nervosos vasculham, detectam, invadem, despem, intimidam, mandam cartas para outros olhos que nem abrem os envelopes. Rasgam as cartas que continham a mensagens que não deveriam ser lidas. Hoje eu tive medo e me senti frágil. Vi aqueles olhos elétricos não como olhos, mas como uma bola de gude acionada por um mecanismo interno. O mesmo mecanismo ávido pela colheita de algodão de um campo imenso pra se forrar por dentro. Hoje eu não quis olhar nos olhos das pessoas. Hoje eles não me contariam nenhuma novidade, não me trariam nenhuma notícia. Então olhei para mim mesmo e vi a própria histeria invertida.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Síncope

Só voltamos a ter outra conversa pelo msn como essa se houver uma ambulância de plantão, ok?

domingo, 20 de maio de 2007

Domingo Legal - mas não do Gugu.

Havia uma época em que eu perdia completamente a noção das coisas, bastava uma latinha e meia de cerveja. De certa forma era legal, eu ficava já no ponto, sem precisar beber muito. Os pensamentos ficavam alterados, as pretenções, intenções, sensações e outros ões, todos se perdendo e se recuperando ao mesmo tempo ali. Agora é chato. Existe uma consciência dominando, embora a fala fique embolada - o que é torturante pra quem fala e pensa rápido como eu. A bexiga quase estourando. Sim, porque só bebo cerveja. Não adianta. Adoro.

Tou adorando essa coisa de blog. Muito legal ficar se expressando aqui. Até porque é bem facinho mexer nas configurações e tals.

Queria escrever mais coisas aqui, mas tou sob o efeito do álcool, por isso não vou revisar o que estou escrevendo aqui, ok? Nossa, quanto 'aqui'.

Ah, outros vizinhos reclaram da minha vizinha forroseira. Ela deu um tempo na calcinha preta. Já não era sem tempo.

Bom, por enquanto é só isso. Tchau.

Ah, tem um espetáculo de um amigo meu, Bertrand, no porão do Santa Rosa. Vão conferir, é bem legal e eu recomendo.

Sim, o nome do espetáculo é Déjà Vu - será que se escreve assim mesmo, com esses acentos todos? -, e vai estar em cartaz no próximo fim de semana também. Sempre às 21:15. Vão lá.

Ok, já deu. Tchau.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

UM PEDIDO A FRIEDRICH


O filósofo louco permeia os meus pensamentos. Meus sonhos todo o tempo. Como uma insistente música ao fundo - aquele forró na casa da visinha. Queria berrar pela janela: desliga essa porra! E o filósofo aumenta o volume. Faria outros loucos, ele sabia.
Sempre fui atormentado por idéias fixas. A maior parte são reminiscências daquele que em mim não passou dos oito anos de idade. Ele ainda sonha com os portais tridimensionais. Adora acreditar na segurança do porão de onde pode ouvir os trovadores cantando sua morte. Ele tem razão, ser daqui é muito chato.
E eis que a verdade me veio aos poucos, em suaves prestações. Foi se instalando disfarçada de aconchego, provocando alguma dor, revelando um universo fascinante. Fascinantemente pertubador. Um verdadeiro 'tapa na pantera'. E quando me dei conta, o meu vagão já estava sendo engolido pelo túnel, adentrando a Caverna do Dragão. Não tive o direito de escolha. Escolha essa que eu não fiz, mas eu já sabia, agora seria, irrevogável. O estômago começa a embrulhar e as frases do filósofo martelando: "O desespero é o preço pago pela autoconciência", "Cada um têm que escolher quanta verdade consegue suportar". Mas eu não pude escolher, repito. Porque travar conhecimento com a verdade é quase como que vender a alma ao diabo. Algo irreparável. A verdade provoca, numa reação em cadeia, outras verdades. E o seu chão se faz areia movediça. Não há como escapar. E digo que não é correto fazer outra pessoa afundar com você. Uma vez que eu não escolhi, dou o direito de escolha ao outro. Algumas pessoas simplesmente jamais suportariam passar para o lado de cá, o da fantasia. Porque a fantasia é mais dolorida, é mais cruel. Viver na fantasia é diferente de viver na mentira. Na mentira vivem os do lado de lá, os do mundo real. A mentira ajuda a manter a sanidade e traz suportes suficientes para que se possa viver bem localizado dentro desse universo. Por isso se torna indispensável na vida dessas pessoas. Doce ilusão. E o filósofo enchendo o saco: "Dever, propriedade, fidelidade, desprendimento, bondade, são soporíferos que induzem a pessoa a um sono tão pesado do qual ela só acorda, se é que acorda, bem no finalzinho da vida. Apenas para descobrir que jamais viveu."
Fez-se então uma calma anormal e repugnante como aquele mau hábito que algumas pessoas têm de cheirar o prato antes de comer. Tenho mania de falar sozinho mas vou esperar o Mestre dos Magos aparecer com seus enigmas que não levam a lugar nenhum e dizer: "Foda-se o portal tridimensional. Eu não quero mais voltar."

terça-feira, 15 de maio de 2007

Muito gelo e dois dedos d'água

Sinto uma onda de calor pecorrer o meu corpo toda vez que bebo água muito gelada.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Desde semana passada.


O pior pesadelo dos últimos tempos: uma nova visinha - parede com parede, diga-se de passagem - que além de ouvir forró e sertanejo o dia todo, ainda por cima canta. E canta mal. Um canto esganiçado, espremido, choroso e desesperado. Pensei em decretar guerra, colocar Disturbed no último volume - fiz muito isso num passado recente - mas esse tipo de atitude agora me parece infantil. Seis anos depois, estou lendo o Alquimista pela segunda vez e novamente obcecado pelos sinais. Viria essa vizinha promover mudanças? Tipo o vento norte indicando o momento de migrar? Migrar... DE REPENTE gosto dessa palavra. Mi-grar.